Modelo cosmológico padrão
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TEORIA DO BIG BANG
Visão geral
[Créditos: NASA's Goddard Space Flight Center/CI Lab]
Como surgiu o universo que conhecemos?
Poucas perguntas intrigam tanto a humanidade quanto estas: de onde viemos? Como surgiu o universo que observamos? Como ele evoluiu até chegar à forma atual? E qual será seu destino?
A teoria do Big Bang, em sua versão aprimorada pela teoria do universo inflacionário (tema de um dos próximos artigos), é o paradigma dominante no meio científico como explicação para a origem e evolução de nosso universo.
De acordo com esse modelo, há aproximadamente 13,8 bilhões de anos o universo encontrava-se em um estado extremamente quente e denso, a partir do qual começou a se expandir até virar o vasto e gélido cosmos atual.
Densidade é uma grandeza física que representa a massa de matéria contida em determinado volume (ρ = m/V). Imagine que toda a matéria do universo observável esteja concentrada em um ínfimo ponto, de volume tendendo a zero!

Ao extrapolar o modelo até o instante inicial da expansão, obtém-se uma singularidade, na qual nossas leis físicas deixam de fazer sentido.
A teoria do universo inflacionário acrescenta que houve um período de crescimento exponencial (extremamente rápido) durante os primeiros poucos momentos, antes de se estabelecer uma expansão mais gradual.
As sementes da ideia
Em 1915, Albert Einstein publicou sua teoria da relatividade geral, cujas equações conduziram a resultados reveladores de que o universo está se expandindo.
O primeiro a chegar a essa conclusão, com base na teoria de Einstein, foi o matemático russo Alexander Friedmann, em 1922. Depois, em 1927, o padre belga Georges Lemaître propôs a hipótese do átomo primordial (ou ovo cósmico), após estudar o trabalho de Friedmann.
Depois da Segunda Guerra Mundial, o físico ucraniano George Gamow, naturalizado estadunidense, adotou e aperfeiçoou a teoria de Lemaître. Juntamente com colaboradores acadêmicos, ele investigou a origem de elementos químicos nos estágios iniciais do universo, publicando uma série de artigos científicos sobre o assunto.
Friedmann, Lemaître e Gamow foram pioneiros na semeadura de um novo paradigma, que posteriormente veio a ser conhecido como a teoria do Big Bang, atualmente alicerçada em consistentes fundamentos teóricos e evidências experimentais.
É curioso que um cientista que não concordava com a expansão do universo, o astrônomo inglês Fred Hoyle, tenha sido quem cunhou a designação "Big Bang", ao se referir debochadamente à teoria em desenvolvimento, em transmissões de rádio de 1949, expressão que acabou sendo adotada pela própria comunidade científica.
Fundamentos e evidências
A teoria do Big Bang apoia-se em duas ideias-chave que surgiram no início do século XX. A primeira delas é a teoria da relatividade geral. Conforme já vimos, o desenvolvimento de suas equações, desde que foi lançada, já apontava para o fato de que o universo está se expandindo.
O outro grande fundamento é o princípio cosmológico, segundo o qual a distribuição de matéria no espaço é homogênea e isotrópica. Isto significa que o universo, em uma visão de larga escala, tem uma aparência idêntica em qualquer região observada (homogeneidade), seja qual for a direção da observação (isotropia).
Além do respaldo teórico, o modelo também foi reforçado por consistentes evidências observacionais:
- As observações do astrônomo Edwin Hubble, constatando a expansão do universo.
- A abundância de elementos leves no universo, indicando que foram produzidos no início da expansão.
- A descoberta da radiação cósmica de fundo em micro-ondas (Cosmic Microwave Background - CMB - radiation), remanescente das altíssimas temperaturas do universo primordial.
Interpretação correta da teoria
Para evitar mal-entendidos sobre o Big Bang e a expansão do universo, precisamos fazer algumas ponderações sobre o que o modelo de fato representa.
Em primeiro lugar, é importante esclarecer uma das ideias mais mal compreendidas pelo público em geral: o modelo do Big Bang não é uma teoria sobre a criação do Universo, mas sobre sua evolução cosmológica.
Outro aspecto é que, se todo o espaço (dentro e fora dos limites até onde podemos observar) for infinito, isto significa que ele já nasceu infinito. Por outro lado, se for finito, então nasceu com volume zero e cresceu a partir dessa condição.
Em ambos os casos, é bem verdade que, no momento inicial, a porção de espaço que corresponde ao nosso universo observável não seria maior do que um ponto.
No entanto, em qualquer das duas hipóteses (universo finito ou infinito), não existe um "centro de expansão" - um ponto de origem a partir do qual o universo tenha se expandido. A noção correta é a de que todos os pontos do espaço surgiram simultaneamente.
Em nossos próximos artigos, veremos que os cientistas, em sua maioria, acreditam que o universo é infinito. Vamos entender melhor tudo isso? Continue lendo...
Próximo artigo:
relatividade geral e princípio cosmológico.
★ Edição: Mauro Mauler - última revisão e atualização: 30 de julho de 2026.
★ Referências:
- EINSTEIN, A. (1916). Die Grundlage der allgemeinen Relativitätstheorie. Annalen der Physik, 49, 769-822.
- EINSTEIN, A. Relativity - The Special and General Theory. Project Gutenberg, 01 out 2008 (última atualização 2 mai 2023).
- FRIEDMANN, A. (1922). Über die Krümmung des Raumes. Zeitschrift für Physik, 10, 377-386.
- LEMAÎTRE, G. (1927). Un univers homogène de masse constante et de rayon croissant, rendant compte de la vitesse radiale des nébuleuses extragalactiques. Annales de la Société Scientifique de Bruxelles, 47A, 49-59.
- NASA/WMAP Science Team. Página oficial. Último acesso 15 fev 2026.
- Planck Collaboration (incl. N. Aghanim et al.), Planck 2018 results. VI. Cosmological parameters, arXiv:1807.06209v4 [astro-ph.CO], submetido em 17 jul 2018 (última revisão 9 ago 2021).
- WEINBERG, Steven. Cosmology. Oxford: Oxford University Press, 2008 (Reimpressão 2018).
- WMAP Science Team, Cosmology: The Study of the Universe.
NASA's Wilkinson Microwave Anisotropy Probe, última atualização 6 jun 2011.